Resources allocation

Os desafios no setor saúde são os mais diversos possíveis e estão enraizados que estão nas formas coletivas de organização social, o que torna difícil sua solução. Em 1995, já se falava desses problemas, quando o sistema de saúde ainda estava em seu início (uma vez que sua proposta foi criada na Constituição de 1988). Naquela época, os principais desafios consistiam em: redução das desigualdades sociais (alocação de recursos para populações mais carentes), melhoria da infraestrutura (física, pessoal e de equipamentos), geração de recursos suficientes para a saúde, promoção de estilos de vida mais saudáveis, incorporação das demandas na área de saúde que afetam o meio ambiente ao movimento ecológico mais global e adaptação dinâmica na localização e no tipo dos serviços oferecidos (de acordo com as mudanças de perfil epidemiológico da população).

Observa-se que desde essa época, a alocação de recursos já era uma preocupação e ela persiste até hoje. A distribuição de recursos entre diferentes áreas da assistência à saúde no Brasil compromete um dos princípios básicos do SUS: a equidade.O que acontece é que determinadas áreas recebem mais investimento que outras, apesar de não representarem o perfil de necessidade da maioria da população, fazendo com que os recursos se tornem escassos nas áreas que necessitam de maior atenção.

Alguns estudos demonstram que grande parte dos óbitos poderiam ser evitados se houvesse uma política de saúde com prioridades diferentes da atual, voltada para a promoção de saúde ao invés da cura das doenças. Para a criação de estratégias mais eficazes, deve-se determinar prioridades na alocação de recursos para a assistência à saúde. Para isso, o primeiro passo é a elaboração de um arcabouço conceitual multidisciplinar, que envolveria as diversas profissões de saúde, permitindo uma visão mais global da atual situação de saúde no Brasil. Depois, uma metodologia que auxilia no processo de determinação de prioridades deve ser desenvolvida, envolvendo custos, eficiência de procedimentos, disponibilidade de recursos, tecnologia apropriada, acesso, entre outros, buscando sempre a equidade.

A qualidade do cuidado oferecido depende mais da forma de organização do serviço do que da lista de prioridades definida para um determinado serviço. É uma tarefa mais política do que científica traduzir em prática cotidiana as prioridades definidas através de investigações que atestam a efetividade de procedimentos e serviços.

“Em tempos de crise econômica e política, como os que existem no Brasil hoje, definir prioridades torna-se uma luta política”.

Fonte:

AKERMAN, M. Determinação de prioridades na alocação de recursos para a assistência à saúde: um desafio contemporâneo para o setor saúde. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/viewFile/8237/7034. Acesso em: 6 de junho de 2017.

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