Integrity and wrongdoing

   Nas últimas décadas, muitos países latinoamericanos vem passando por mudanças políticas, sociais e econômicas que levaram a transformações no campo de serviços de saúde, em especial o aumento da participação do setor privado.

   A criação do SUS trouxe diversos benefícios antes não concebidos à população brasileira, por ser um sistema universal, integral e gratuito. Porém, ele veio acompanhado de muitas dificuldades em relação ao acesso aos serviços de saúde, que diz respeito à “precariedade das condições de atendimento, decadência das instalações físicas, dificuldade de contratação de recursos humanos de materiais e medicamentos”, entre outros.

   Devido aos baixos investimentos em saúde e consequente queda da qualidade dos serviços, ocorreu uma progressiva migração dos setores médios para os planos e seguros privados. Com isso, imaginou-se que seria possível melhorar a qualidade de atendimento ofertada à parcela economicamente desprivilegiada da população, numa tentativa de desafogar o sistema público.

   Porém, com o passar do tempo, “o aumento dos custos assistenciais de saúde; o surgimento de novas e caras tecnologias; a baixa remuneração dos profissionais médicos, entre outros fatores, criaram dificuldades operacionais que findaram com o aparecimento de fraudes dentro do sistema, praticadas tanto por médicos como beneficiários dos planos privados de assistência à saúde”.

 As justificativas para isso são um reflexo da problemática enfrentada pelo SUS, onde de um lado há os médicos reivindicando por melhores remunerações, e de outro, os beneficiários exigindo diminuição dos custos e melhora na qualidade do atendimento.

   A questão do SUS é apenas um exemplo que demonstra que a cultura da fraude é muito presente no Brasil. Atitudes assim são muitas vezes justificadas pelo pensamento do brasileiro de que somos injustiçados o tempo todo, o que nos isenta da culpa. Além disso, é comum a repetição de atitudes incorretas no ambiente de trabalho.

    Transgressão significa a ação humana de atravessar, exceder, ultrapassar noções que pressupõem a existência de uma norma que estabelece e demarca limites. O ato de fraudar começa de forma individual, e é expandido para níveis maiores – a níveis nacionais ou até mesmo mundiais. Porém, o profissional da saúde deve ter consciência de que uma pequena atitude é tão antiética quanto e é ela quem culmina em uma grande.

   É essencial ao profissional assumir uma postura ética, profissional e respeitosa mediante sua profissão e seus pacientes, respeitando sempre a integridade (que vem do latim integritate e significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética), e esta consciência deve existir desde a graduação.

Thiago Martins

 

Referência:

BERBICZ, Rafael Baggio. FRAUDES EM PLANOS DE SAÚDE E SEUS REFLEXOS NA MANUTENÇÃO DO SISTEMA E BENEFICIÁRIOS. 2007. 91 f. Monografia (Especialização) – Curso de Direito Econômico e Social, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2007. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp025816.pdf&gt;. Acesso em: 30 maio 2017.

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