Integrity in research

Até onde vão os limites éticos da pesquisa? Infelizmente alguns pesquisadores colocam a ciência em primeiro lugar, esquecendo-se de valorizar a importância do ser humano. De acordo com Kottow, “a ética em pesquisa, a rigor a do pesquisador, é uma ética profissional que distingue atuações corretas de incorretas, geralmente com base em um código explícito. Os aspectos fundamentais referem-se à probidade de não adulterar as diversas etapas da pesquisa, não manipular os resultados nem sua publicação, respeitar as participações e prioridades dos pares, não plagiar, lidar com dinheiro com honestidade e transparência, e não se apropriar de bens materiais ou intelectuais.” Dessa forma, a ética em pesquisa deve cruzar com os preceitos da bioética, visando à relação do pesquisador e o sujeito.

Para regulamentar e tornar uma pesquisa apta, existe aqui em Belo Horizonte, o Comitê de Ética em Pesquisa, que busca averiguar os processos que serão realizados no decorrer da pesquisa e se os mesmos apresentam algum risco de violação dos Direitos Humanos.

Além do respeito em pesquisas com seres humanos, cabe destacar também o respeito que se deve ter ao usar obras de terceiros. É importante sempre identificar à fonte na qual a informação foi retirada, dando os devidos créditos a quem produziu a pesquisa. A não citação/identificação do autor é caracterizada como plágio e deve ser devidamente julgada.

No Brasil, em 2008, em reportagem publicada no Portal G1, o presidente da Abraspec (Associação Brasileira de Apoio e Proteção aos Sujeitos da Pesquisa Clínica), entrou com uma ação civil contra a União e o governo do Acre após receber denúncias de pelo menos nove agentes entomológicos moradores da região do Vale do Juruá que foram obrigados a levar picadas e oferecer amostras de sangue, além de ficar com o corpo nu, exposto aos mosquitos, com o objetivo de capturar insetos. Em troca, eles receberiam salário de aproximadamente R$ 850. A prática seria comum no estado desde o ano 2000. Essa reportagem chocou o Brasil diante de tamanha violação dos Direitos Humanos, tanto por questões físicas, quanto por questões socioeconômicas. Será que colocar a saúde e a vida de pessoas em risco em prol da ciência é uma atitude ética? Será que ter um artigo publicado é mais importante do que preservar a dignidade de um ser humano?

 

Referências:

KOTTOW, Miguel. História da ética em pesquisa com seres humanos. Anis-Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, Brasília-DF. Disponível em: <http://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/COMITE-ETICA-PESQUISA-HUMANO/Hist%C3%B3ria%20da%20%C3%A9tica%20em%20pesquisa%20envolvendo%20seres%20humanos.pdf&gt;.  Acesso em 07 de maio de 17.

ROSSETTO, Luciana. Associação denuncia uso de cobaias humanas em pesquisas de malária. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL588002-5598,00-ASSOCIACAO+DENUNCIA+USO+DE+COBAIAS+HUMANAS+EM+PESQUISAS+DE+MALARIA.html>. Acesso em 07 de maio de 17.

 

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