Abuso contra o idoso

 

A população idosa está aumentando rapidamente nas últimas décadas no Brasil. Associando este fato às características sociodemográficas da sociedade em que vivemos, é comum haver um cenário de exclusão deste grupo de indivíduos. Com o envelhecimento, o idoso se sente “um ser solitário pela sua inutilidade como pessoa, começando assim o drama da rejeição, depressão, enfim, fatores que podem desencadear a tão temida violência, tanto afetiva, quanto moral dentro do seu próprio lar” (COSTA; CHAVES, 2003)1. Geralmente, os idosos demenciados e dependentes são os mais atingidos pela violência e, segundo Oliveira (2007)1, “uma família desestruturada torna-se um agravante para esses eventos, pelo fato do ‘velho’ alterar sua rotina, exigindo mais cuidados, atenção e gastos”.

De acordo com o site “Secretaria Especial de Direitos Humanos – Ministério da Justiça e Cidadania”2, o canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (Disque 100), responsável pelo recebimento de denúncias de violações de direitos, registrou 12.454 denúncias de violência contra a pessoa idosa nos quatro primeiros meses de 2016, apresentando um aumento de 20,54% de denúncias em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados ainda mostram que a maior parte das violações acontece dentro da casa das vítimas e é cometida por familiares, e que as mais comuns são a negligência, a violência física ou psicológica e o abuso financeiro e econômico, também chamado de violência patrimonial.

Existem cada vez mais políticas específicas voltadas à proteção dos idosos, como exemplo o Estatuto do Idoso, que visa regular os direitos assegurados a esse público. Porém, de acordo com Elsner et al (2007)1, “a proteção ao idoso pelas leis ainda é muito precária. A sociedade tem o dever de aceitá-lo como um cidadão na sociedade, com todos os seus direitos. O Estado tem que assegurar-lhes e proporcionar-lhes tais direitos, simples, como segurança na travessia de ruas, nas conduções, reeducando os condutores de coletivos a garantirem sua segurança no embarque e desembarque”. Segundo Duarte et al (2008)1, “a aprendizagem sobre o envelhecimento deveria ser iniciada precocemente e deveria estar no currículo das escolas. Seria um tipo de prevenção da temida violência contra os mais velhos. Os laços se estreitariam e haveria a troca de experiências, assim o idoso não seria visto como um ser inútil, e sim importante dentro de sua família”.

O fisioterapeuta é um profissional que está sujeito a se deparar com situações envolvendo o abuso contra o idoso, já que está inserido em um meio onde o contato físico é relevante. Desta forma, estar alerta a sinais e sintomas – físicos e psicológicos – nestes indivíduos é de suma importância, assim como a realização da denúncia após a identificação de algum caso. Para favorecer a detecção de casos, um atendimento diferenciado, voltado para a identificação, prevenção ou abordagem de casos de violência de qualquer natureza faz-se necessário. Compartilhando a ideia de Almeida et al (2009)1, deve ser prioridade para a mudança dessa situação a implantação de programas de capacitação dos profissionais da saúde para tratar e identificar maus tratos, com foco na atenção primária de saúde, havendo assim uma otimização no atendimento a essas pessoas e uma tentativa de mudança nesse cenário que é, infelizmente, muito comum nos dias de hoje.

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1. FARIA, Suely dos Santos Silva de; DUARTE, Marcelo Silva. Abordagem multifatorial da violência contra o idoso. Uma revisão bibliográfica. Disponível em: <http://www.frasce.edu.br/inativo/frasce/novos_artigos/violencia_no_idoso.pdf&gt;. Acesso em: 01 maio 2017.

2. “Dados do Disque 100 mostram que mais de 80% dos casos de violência contra idosos acontece dentro de casa”. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/noticias/2016/junho/dados-do-disque-100-mostram-que-mais-de-80-dos-casos-de-violencia-contra-idosos-acontece-dentro-de-casa&gt;. Acesso em: 01 maio 2017.

Amanda Riani

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