Ética e profissionalismo

 

Segundo o artigo “Desengajamento Moral na Perspectiva da Teoria Social Cognitiva”, o psicólogo e pedagogo canadense Albert Bandura, criador da teoria do desengajamento moral, “propôs o conceito de desengajamento moral para mostrar como as pessoas podem encontrar justificativas para cometer atos antissociais sem se sentirem culpadas ou censuradas por isso”. O desengajamento moral é que explica o guerreiro decapitando o inimigo na televisão ou os homossexuais sendo atirados do alto de um prédio pelo crime de serem homossexuais.

Já a teoria social cognitiva diz que “as pessoas são produto e produtoras do ambiente em que vivem, podendo nele atuar de forma agêntica, ou seja, com a intencionalidade de que sua ação produza efeito no ambiente, sendo também por ele transformado”.

Como se sabe, dependendo da especialidade, o fisioterapeuta pode estar intimamente vinculado ao atendimento de pacientes em condições clínicas graves, em estado terminal e mesmo em situações de risco de vida, característico do profissional especialista em terapia intensiva. Araújo (2003) fala um pouco sobre alguns dilemas bioéticos do fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No artigo, a pesquisa realizada entre os fisioterapeutas abordou um dilema ético sobre a explicação ao paciente sobre os procedimentos a serem realizados e a permissão do paciente para que as técnicas sejam realizadas. O resultado obtido foi que todos os entrevistados disseram explicar os procedimentos, mas uma porcentagem significativa disse não pedir permissão, ou seja, embora o paciente tenha se emancipado e é livre para consentir ou não a realização de um tratamento, alguns profissionais ainda tomam como base a conduta paternalista e decidem pelo paciente. (ARAÚJO, 2003)

“A justificativa de uma conduta paternalista sempre se fundamentou nos princípios da beneficência e não maleficência. A questão atual é delimitar o que venha a ser beneficência e para quem se está sendo beneficente. Respeitar a autonomia de um indivíduo capaz e competente é um ato beneficente, desde que essa autonomia não esteja prejudicada por alguma situação especial”. (ARAÚJO, 2003)

Este fato, se trata do primeiro mecanismo de desengajamento moral, a justificativa moral, onde opera quando o que é culpável pode se tornar uma conduta pessoal e socialmente aceitável, por meio de uma reconstrução cognitiva que representa a conduta antissocial. Ou seja, o profissional fisioterapeuta não respeitar a emancipação do paciente e a livre escolha sobre realizar ou não o procedimento, é justificável e pode ser aceitável por achar que está fazendo o bem.

O texto alerta para a autonomia pessoal, sendo que a pessoa, no caso o paciente, tem o direito de consentir ou recusar proposta de caráter preventivo, diagnóstico ou terapêutico que afetem ou venham a afetar sua integridade físico-psíquica ou social. Cabe ao profissional avaliar a qualidade da autonomia do seu paciente e as circunstâncias em que se encontra esse paciente na tomada de decisão. Está nas mãos do profissional de saúde o respeito aos desejos e vontades do paciente. (ARAÚJO, 2003)

O fisioterapeuta, assim como outros profissionais da saúde devem levar em conta sempre os princípios bioéticos estabelecidos.

ARAÚJO, Laís Záu Serpa de; NEVES JÚNIOR, Waldemar Antônio. A bioética e a fisioterapia nas Unidades de Terapia Intensiva.Fisioterapia e Pesquisa, [S.l.], v. 10, n. 2, p. 52-60, dec. 2003. ISSN 2316-9117. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/78115/82203>. Acesso em: 21 apr. 2017. doi:http://dx.doi.org/10.1590/fpusp.v10i2.78115.

 

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